Me bateu o maior remorso quando chegou a última edição da Revista da mtv, última indeed, com cartas de despedida e tudo mais. Eu tinha cancelado a assinatura semanas antes. Lamento pelo desemprego e tal, mas a revista estava uma bosta. Nem os ingressos de cinema salvavam ultimamente. Sem perceber, até comprei três Rolling Stones para compensar. Do Jack Sparrow, the Police e Rita Lee, porque Faustão, convenhamos.
Esta última, então, me proporcionou momentos hilários dentro do avião durante a subida, contrastando com as dores lacinantes que eu senti na descida. As risadas foram daquele tipo que você sente vergonha de si mesmo por rir tanto a ponto de causar curiosidade nas pessoas perto. Mal sabia a guria de 12 anos ao meu lado que se tratava de uma sensacional - mas muito suja - divagação de Tom Zé:
“Ele [o LP de 1979, Mania de Você] foi responsável pela educação sexual daquela época, com suas letras sexo-pedagógicas criadas pelo fato de Rita ter encontrado um marido tão fantástico como Roberto de Carvalho. Nunca vi uma pessoa se apaixonar tanto por um pau de um namorado a ponto de tecer loas constantes e repetidas em tudo que cantava. (…) No futuro , as moças podiam até reivindicar um pau como o que ela teve. A ciência, quando se tornar útil para o povo, vai estudar o pau de Roberto de Carvalho, criar pênis iguais e pôr no mercado. Toda moça haverá de dizer: ‘Também quero o meu igual’.
Eu preciso muito assistir Fabricando Tom Zé.
As dores lacinantes, pois. Em uma das últimas viagens de avião eu senti essa dor absurda de pressão no olho, parecia que ia sair e ficar dependurado na minha mão, a esta hora já em forma de conchinha. Dessa vez, não, a dor começou no pouso e pegou a cabeça toda. Insuportável você sentir algo que não sabe de onde vem, pensar que sua cabeça vai explodir a la Jimmy Worm, sair correndo pro banheiro, meter uma água no rosto de não adiantar nada. Tive a magnífica idéia de perguntar o que fazer à aeromoça (profissão que desprezo completamente, garçonete dos ares; mas já que está ali, deve saber algo). “A senhora deve estar gripada”. Diagnóstico final: sinusite. 80 reais de remédio, um calor infernal, reunião em Santa Cruz em pleno 26/12…
Fim de ano escroto, você não faz nem idéia.