Vim pro Rio. Pro Pan. Credencial infinita. Salário zero. Provável salário em agosto, traduzindo. Nunca pensei que fosse possível não ter mais que dar aula, só traduzir. Aparecendo na televisão, quem sabe.
O grande Guimarães Rosa tem uma das melhores frases sobre o tema, até coloquei na folha de rosto da minha monografia. “Traduzir é conviver”. Ia até colocar uma foto maneira do Museu da Língua Portuguesa com as Veredas dele, mas a Ipanema abaixo me pareceu mais propícia* ao astral do momento.
Mas foi dose. Largar mamãe, então. Chorei. Ando chorando que nem uma besta. Mas é preciso. É necessário tomar vergonha na cara e perceber que quartinho quentinho, café com leite de manhã, cachorro, dois gatos, papagaio. Cabô. É aturar vó implicante, pegar trânsito de duas horas na chuva. Ir pro mundo. Evoluir.
* nota: palavras que não sei escrever: propícia, ritmo, etc.




